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Ritoca Bomboca

Ritoca Bomboca

29
Jan15

Nós não temos de ser sempre simpáticos....

Não temos de sorrir sempre para as pessoas, só porque dizem que tem de ser assim. Se não me apetece sorrir para a sra da padaria porque motivo hei-de fazê-lo? Se não me apetece ser simpática com o sr. do café, porque raio é que tenho de ser? A sociedade tenta incutir esses pensamentos, essas regras de conduta, digo tenta, pois só as acata quem quer.
Eu não estou sempre bem disposta, não estou sempre sorridente, pelo contrário, sou bem rabugenta. Mas é engraçado, porque se não sorrio tanto como acham que eu devo, apelidam-me de "bitch face", ou então perguntam-me algo como "o que tens?". Ora posso não ter nada? Posso não ter vontade de sorrir? Posso ser normal, sem sorrisos cínicos para quem não gosto? Bem sei que a maior parte usa o cinismo no dia-a-dia, principalmente as mulheres, algumas que se intitulam de perfeitas, não o são, ninguém é, são pessoas, normais, mas prefiro não sorrir para quem não gosto, do que sorrir e dar dois passos e criticar a pessoa a quem sorri.
Estou farta de fretes. E mais, eu não sou sempre boa pessoa, não sei se quem está por aí é, eu não sou, também tenho pensamentos maus, às vezes gostava de ter a vida das outras pessoas, pelo menos até perceber que não é aquela perfeição que aparentam nas redes sociais, ou de ter nascido rica para poder viaja e trabalhar só quando me apetece. Eu não tenho sempre o cabelo cuidado, aliás, muitas vezes tenho as pontas espigadas. Eu não tenho sempre o verniz impecável, às vezes tenho o verniz lascado nas pontas, e com a preguiça de tirar tudo, coloco outro em cima porque é mais fácil. Eu não tenho sempre o meu quarto arrumado, pelo contrário, muitas vezes está um caos.
Eu não gosto de toda a gente, muitas vezes até penso que não gosto daquele, só pela cara.
Eu não cobro às pessoas de quem gosto, mas gosto quando me mimam, gosto de me sentir útil para os outros. Mas por vezes tenho de parar um pouco, não dá para estar sempre em todo o lado, com todas as pessoas, por vezes até posso correr o risco de ser mal vista, por ter tanta iniciativa, por vezes podem pensar que me estou intrometer, então tenho de parar. Fugir um pouco, fazer marcha-atrás. Eu não estou sempre feliz. Aliás, neste momento nem me sinto realizada profissionalmente e isso é duro, está a corroer-me um pouco. Eu ainda quero mudar o mundo, e não é um trabalho de administrativa que me vai permitir isso, ninguém muda o mundo a tirar cópias, ou a atender telefones. 
Eu por vezes também me sinto perdida, sem saber bem o que fazer, com vontade de ir, de fazer, sem saber para onde ou fazer o quê.
Por vezes penso que devemos tudo aos nossos pais, é verdade que nascemos por iniciativa deles, mas nós não lhes devemos a nossa vida, ou melhor, a forma como a queremos viver, afinal nem pedimos para nascer.
Por vezes penso que sou bipolar, outras vezes penso que isso é uma característica das mulheres. Gosto de escrever, de partilhar, mas queria ter "aulas" de pontuação, que por vezes me falha.
Gosto de pessoas verdadeiras, que não escondem e isto surge como uma espécie de desabafo, no seguimento dos vários que li através da Marta Gautier e do seu workshop, gostava de ter participado.
Sem idas ao psicólogo, o blog serve também para isso.
Eu não sou perfeita, não sei se existem pessoas perfeitas. Eu quero sempre mais, aprender mais, alcançar mais, não sei se serei uma eterna insatisfeita, sei que a minha cabeça não pára, os pensamentos andam sempre a mil, normalmente as pessoas estão em Portugal e eu já vou em França, por vezes fico cansada, com vontade de desligar o botão. 
Eu sofro horrores por antecipação, sou ansiosa por natureza, e detesto os sentimentos que isso provoca. Sou ciumenta, mesmo com os meus amigos, muitas vezes "quero-os" só para mim, mimalhice também se aplica. Mas não sou má, nem intriguista. Não foi por isso que o meu melhor amigo quis deixar de sê-lo, embora muitos pensem isso, o que é realmente para o lado que eu durmo melhor, e de uma coisa tenho a certeza, ele nunca foi o meu melhor amigo, os amigos não são assim!
Não tenho uma relação perfeita. Muitos, eu inclusive, partilhamos fotos nas redes sociais, aí são os momentos bonitos, que temos vontade de partilhar. Mas não temos só momentos desses, há fases chatas como a potassa, em que parecemos velhos, casados há mais de 50 anos, noutras nem tanto, estamos bem, gargalhantes e felizes.
Esta sou eu, ou quase, porque não se pode mostrar tudo, dizem, só sei que viver todos os dias com esta cabeça, cansa!